Não me recordo ao certo do dia, nem do mês ou sequer da hora.
Sei que a notícia caiu que nem uma bomba.
"Temos de ir para o Brasil", exclamaram eles.
Já se tinha falado nisto anteriormente, por brincadeira ou por desespero. Nunca as palavras tinham sido actos.
Mas desta vez, tínhamos de ir para o Brasil. Mais do que dizer, tínhamos de ir para o Brasil, significava, na verdade, que tínhamos de ir para o Brasil.
Significava deixar vinte e cinco anos de existência para trás. Significava deixar amigos. Significava deixar amores. Significava deixar pensamentos. Significava deixar projectos. Significava deixar de ser eu, para ser eu, mas não mais o eu que era.
Significava deixar as pessoas, as conversas, os risos, as palhaçadas, as coisas sérias, tudo.
Mas nós temos de ir para o Brasil.
Ninguém nos ensina na escola ou em qualquer outra parte, a resolver algo como "temos de ir para o Brasil".
A notícia caiu com um peso enorme em cima de mim. Mas nós temos de ir para o Brasil.
Não quero deixar tudo aqui. Não quero perder-me aqui.
Mas nós temos de ir para o Brasil.
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